quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Passatempo Impunidade Garantida - I

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Qual das 30 fotos seguintes é a mais recente (tirada hoje, às 12h40m)?
As respostas deverão ser dadas aqui, em comentário, podendo cada leitor dar uma única.
O prémio será um exemplar de «Cidade Escaldante» (de Chester Himes) ou de «Ontem e Amanhã» (de J.G. Romão Coutinho) - à escolha do vencedor.
Actualização: o passatempo foi ganho por Melo, a quem se pede que, nas próximas 48h, contacte sorumbatico@iol.pt indicando qual o livro que prefere e morada para envio.
Obrigado a todos.
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008





19 Ago 08 - Junto ao Elevador da Glória, em Lisboa

domingo, 17 de agosto de 2008

sábado, 16 de agosto de 2008

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

As passadeiras de António Costa

EMBORA se possa pensar que o que sucede em Lisboa só interessa a quem lá vive ou trabalha, o facto de a autarquia ser gerida por alguém que já teve importantes funções no Governo (e poderá voltar a ter...) leva-nos a olhar com atenção para o que lá se passa. Além disso, o que aqui se refere é paradigmático, pois documenta
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QUANDO SE CANDIDATOU à Presidência da CML, António Costa fez várias promessas, de entre as quais se destacaram três: acabar com o estacionamento em 2ª fila, limpar as ruas e pintar as passadeiras (especialmente junto às escolas); e aquando da passagem dos 6 meses de mandato, informou-nos que tinha cumprido tudo o que prometera, à excepção do que não dependia de si.
Ora, seguindo o conselho de Aristóteles (que recomendava que se abordasse um assunto de cada vez...), deixei de parte as duas primeiras promessas (cujo 'cumprimento' é por demais conhecido) e abordei apenas a terceira, tomando como exemplo o caso de uma passadeira junto à Escola do Bairo de S. Miguel.
Estado em 27 de Dezembro de 2007

Em Junho de 2008, podíamos ler esta notícia - p. ex. [aqui]

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Em 5 de Agosto de 2008 já se podia ver a pintura a descascar (podendo até arrancar-se à mão)
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Ontem, 12 de Agosto de 2008, a situação era a que se vê

Lisboa atapetada... de jornais

Entrecampos - paragem de autocarro

Entrecampos - paragem de Metro

Martim Moniz


Campo Pequeno


Av. Guerra Junqueiro

domingo, 10 de agosto de 2008

«Sem Cura Possível» (Cap. IX) de André Brun





NOTA: clicando nas palavras "André Brun" (em "ETIQUETAS"), os textos deste autor surgem agrupados.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008


Estaria tudo muito bem... se a máquina funcionasse...
NOTA: Pede-se que eventuais comentários sejam afixados no Sorumbático [aqui]

domingo, 3 de agosto de 2008

E A VIDINHA À NOSSA ESPERA...

Por Nuno Brederode Santos
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PRONTO PARA MAIS UM AGOSTO de Lisboa, trago ainda uma translúcida memória do que marcou, em mim, a minha ausência.
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Uma vez mais, um grupo de caminhantes, supostamente desportivos, perdeu-se nas margens do rio Teixeira e passou uma noite ao relento. Na manhã seguinte, foram todos encontrados e isso valeu-lhes ampla cobertura mediática. Ninguém se magoou e, por isso, ninguém se salientou. Ninguém foi além de si mesmo (a qualquer título, bom ou mau). Não houve heróis nem mártires. Nem Rambos nem MacGyvers. Deu só para nos zurzirem a cabeça, durante uma noite e um dia, com entrevistas a bombeiros e, após o resgate, a uns abazurdidos adultos de calção curto, que aproveitaram para fazer alarde do seu inquieto humanismo. Não tendo havido vítimas a lamentar ("não, não houve pânico algum", reiteraram dois protagonistas do evento), vá lá que nos valeram os salvados da consciência das vedetas do evento: envergonhados pelos erros cometidos, prescindiram da sua glória acidental e ninguém posou para a eternidade. É que, mais ano, menos ano, a gente apercebe-se de que anda ali muita impreparação e, digam os media o que disserem, começa a recusar-lhes os quinze minutos de glória. Admito que todos tenhamos a ela direito, mas haverá que aguardar melhor oportunidade.
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Foram precisos os psicodramas da Universidade Moderna e da Universidade Independente para que a opinião pública tomasse consciência da situação do ensino universitário. Mas tomou. Só não pode é aperceber-se do intrincado e moroso processamento a que o Estado está sujeito para lidar com o fenómeno. Agora é a guerra da Autónoma (e lá se vão desenhando os interesses dos professores contra os interesses dos estudantes e os interesses dos estudantes que ainda estão posicionados para mudar sem grandes danos pessoais contra os que julgam ter razões para levar a luta "até ao fim". Ver anualmente repetidas as entrevistas televisivas com responsáveis das empresas proprietárias a arrastarem no tempo, à custa do medo dos alunos, a aceitação de inscrições, sob a alegação de que ainda há acções judiciais a propor e até de que nenhum dinheiro é por agora recebido, incomoda e cansa as pessoas. Mas preciso que as não confunda. E, embora a paciência já nos vá faltando para o problema, importa não permitir que o fogo alastre na comunicação social, para depois serem necessários muitos comunicados e dois programas de televisão para o apagar. É certo que a experiência ensina que, algum (muito) tempo depois, tudo vai ao lugar. Mas esse é um tempo de vida. Que é um preço sem ressarcimento.
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À guerra da nudez sucede a guerra das massagens. Já todo o país percebeu que há um turismo que agradece massagens por tuta e meia, aplicadas por uns sedutores nómadas de ocasião, que não estão licenciados para o efeito. E percebeu também que contra ele se levanta outra política de turismo, que conta com SPA em que o luxo e o preço conseguem pôr a virtude mesmo onde ela não mora. Pendurar a argumentação do bom senso no "risco de saúde" não convence: toda a gente entende que ele existe, mas que é uma verdade eventual e subalterna. Fazê-lo invocando a falta de regulamentação não é melhor. É o nosso pequenino dilema da Calle Ocho e ninguém pode levar a mal a opção por um turismo mais exigente (e por isso mais lucrativo). Mas ter de apanhar todos os anos com falsos moralismos é fastidioso e pode tornar-se irritante. Terá dito o senhor almirante Reis Agoas que - cito de memória - "sabemos como começa uma massagem, mas nunca sabemos como acaba". É verdade. É o que sucede com o Universo, com Portugal e comigo. E há até turistas que pensam que é no não saber como acabam que reside o encanto das tais massagens. Mas todos estes dados eram já conhecidos no ano passado. Tivemos direito a piscadelas de olho sorrateiras em prime time. Fez-se muito humor de vão de escada. E o gentio pensou que a coisa estava resolvida. Ao que se vê, não estava.
Por mim, insisto que a repetição destas coisas, além de porem em cheque as certezas de Lavoisier, são uma mensagem errada a um país que se quer em mudança.
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«DN» de 3 de Agosto de 2008
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NOTA: eventuais comentários a esta crónica deverão ser afixados no Sorumbático - ver [aqui]

sábado, 2 de agosto de 2008

quarta-feira, 30 de julho de 2008

O REMORSO MAL EMENDADO

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Por Baptista-Bastos
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OUVI, ATENTAMENTE, as declarações de João Cravinho sobre a corrupção infrene em Portugal, complementadas pelas gravíssimas acusações à legislação, que ele entende pejada de "factos anómalos". Tenho consideração pelo ex-deputado do PS, que nunca fora homem de tagarelices. A sua história está associada à da minha geração, levemente ingénua e um pouco tonta, iluminada pela contemplação de uma finalidade, que entendia o fascismo como monstruosa simulação e o futuro como a correcção de todos os males. Extraíamos, da nossa consciência, a fidelidade a um projecto político que recuperasse as verdades entrevistas nas nossas leituras comuns. Éramos novos e não nos desconcertávamos com os reveses que a História, deusa cega, nos infligia. Entre os poucos livros honestos, até hoje publicados, acerca dessa geração, avulta um: Os Anos Decisivos - Portugal 1962-1985: Um Testemunho, de César Oliveira, Editorial Presença, 1993. Nele se poderá aferir das traições aos testamentos legados, dos poucos que permaneceram no cumprimento de uma certa condição e dos muitos que desistiram e rodam em outros carris.
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A lista dos nomes que personificavam um sonho de reabilitação colectiva e se opunham à violência da "ordem" salazarista é o dramático retrato de muitos que foram e deixaram de o ser. Recordei esta fraternidade altiva depois das declarações de Cravinho, personagem do livro de César Oliveira. E reconheço que pecam por tardias e inexistem como significado, porque o carácter do documento era já conhecido. Ele aceitou as regras do jogo, cedeu à pressão e acedeu a um cargo (indicado pelo PS) na direcção do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (???), mora em Londres e libertou-se do ofício de ser português em Portugal. Foi o que foi: hoje, é o que é. Este fardo não é meu. Cravinho pode aludir à ausência de independência dos outros, quando a sua não será tão virtuosa quanto seria desejável? É claro que nunca proclamou ser um homem justo; todavia, sempre o aparentou: eis porque a ida para Londres configura o abandono sem perdão de um combate e uma forma fácil de governar a vida. Vou a Camus: "Pode, realmente, pregar a justiça aquele que não consegue sequer fazê-la reinar na sua vida?"
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Fica, desta história, a sensação de um remorso mal emendado. Há uma patética procura do equilíbrio perdido e uma fuga ao real, ilustradas por alguém que precisa de se justificar. Escrevo estas palavras isento de qualquer exaltação inútil. Mas a natureza dos factos recentes leva-me a considerar que os sonhos de Abril têm resultado na demonstração revoltante da cupidez de muitos daqueles que, afinal, estavam a investir no futuro pessoal.
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Quanto à resposta de Alberto Martins, não passa de uma desgraça sentada em cómoda poltrona.
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«DN» de 30 de Julho de 2008
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NOTA: eventuais comentários a esta crónica deverão ser afixados no Sorumbático - ver [aqui]

domingo, 27 de julho de 2008

UM MUNDO PACHOLA

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Por Nuno Brederode Santos
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ESTE PEQUENO VALE ALENTEJANO onde, uma vez mais, busquei refúgio, põe-me à frente uma porta luminosa. Por tudo quanto sei, pode ser o umbral de uma máquina do tempo ou um parêntesis tridimensional. Nem cuido disso. Aprendo apenas que ainda há onde o céu traga mais novas e nos suscite mais atenção do que o vago e ternurento nada que nos toma os ombros e recobre as pernas esticadas, a fazer ponteiros de um relógio de sol impreparado. Lá em cima, passam nuvens irrepetíveis, no mesmo tempo em que, cá por baixo, só há rotinas: a ursa branca e estilizada que, ao longo da tarde, avança, nos vagares do tecto azul, cobre a cria que não trazia ontem; mas o cão que finge cheirar-me as pernas (suspeito que para se certificar de quais são os jornais que empilhei para ler hoje) é o mesmíssimo rafeiro de todos os dias, de todos os meses, de todos os anos (vai velho, o cão: dizem-me que já conta 16 anos - 16, a almejar em silêncio ansioso a felicidade que já teve).
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Mas este tem sido um ano benigno, talvez para dar espaço a que as tão faladas crises se manifestem. Respeitou-se, é claro, o essencial, mas em doses comportáveis. Tivemos um pouco de miserabilismo voyeur nos doloridos caminhos de Fátima, mais o decepcionante e fugaz leão da Maia e uns fotogramas em sépia dos nossos carinhos por Timor. Na falta de uma ruidosa escandaleira à Max Mosley, ainda arranjámos por cá umas traquinadas com uma extrema direita incipiente. Tivemos um aperitivo (breve) de bastidores do Europeu de futebol, que ainda deu para torcermos pelo Cristiano Ronaldo contra a Nereida Gallardo (que nem jogou) e para fazermos a vida negra ao Deco por ir para Londres com a mulher que já tinha escolhido. Não falhámos a animação de rua: houve que aplacar os camionistas, chegando a acordo com os patrões deles. Tivemos o sururu da estação com os armadores de pesca e chateámos a Alexandra Lencastre por causa da vida privada da irmã. A Madeira deu-nos pirotecnia insular. O PSD preencheu o vazio nervoso dos espíritos mais institucionais, com as esporádicas ajudas do Compromisso Portugal (como ele é) e da Sedes (como ela está). O caso Maddie terminou sem brio nem glória, com protagonistas devorados pela espiral mediática que quase todos alimentaram (e, como os últimos dias atestam, alguns nada aprenderam com isso): ficamos com pouca razão, mas com o amargo de boca de algum Brittania rules the waves a troar na costa algarvia. Não estando esquecido que 2009 é ano de muitas eleições, do subsolo seco brotaram imensos novos partidos, cogumelos que ninguém plantou e que, na sua maioria - que é a dos que não serão convidados a integrar listas partidárias - serão depois reabsorvidos pelo mesmo chão que os acolhia e no qual irão dormir mais quatro anos de mansidão cataléptica, envoltos nas excelsas virtudes que os fizeram vir à superfície, a cuidar da sua horta de tubérculos.
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E agora? Agora a gente vai e vem de férias e as cidades ficam baldios iluminados (mais pelo néon do que pelas luzes do espírito). A beautiful people tomará conta da vida nacional e os amores e desamores da saison proporcionarão, por certo, a nossa ração de combate de fatuidades e intrigas. Os minutos de glória serão disputados pelos mais insuspeitos, se necessário à custa de umas quantas nutridas escandaleiras. Em meados de Setembro, já quase tratamos por tu uns senhores de quem, a esta data, jamais ouvimos falar: eles tomarão o lugar de outros tantos, que no ano passado nos foram íntimos, mas que a estação fria nos fez entretanto esquecer. Haverá também um bom desastre, é claro, mas é cedo para sabermos qual (um arrastão na linha dava jeito). E fogos, claro: com cinco minutos de chamas em directo e quarenta de imagens de arquivo e entrevistas a transeuntes. E a substância?, já vejo alguém perguntar-me. Bem, faltam umas quantas greves (TAP, patrões de costa, maquinistas - já nem estou certo das que faltam), outros tantos sobressaltos corporativos e umas intrigas sobre as obras da Assembleia da República. Depois, as habituais novelas do PSD, desde o retorno do não convite à líder para as comemorações da Madeira até ao Pontal (mesmo que a direcção política se fique pela Universidade de Verão). Um ou dois membros do Governo dirão coisas que lhes exigirão desculpas públicas. E quatro ou cinco interesses de difícil compatibilidade bloquearão ruas e avenidas, a complicar a vida aos cidadãos, mas a lembrar que essa ideia de oposição circunscrita ao Parlamento é a carta ao Pai Natal de todas as maiorias parlamentares.
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E o nosso mundo, sofrido mas pachola, cá estará à nossa espera.
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«DN» de 20 de Julho de 2008.
NOTA: eventuais comentários a esta crónica deverão ser afixados no blogue Sorumbático - ver [
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