terça-feira, 9 de setembro de 2008

Lisboa 8 Set 08 - Descendo do Jardim do Torel até à Rua das Pretas









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domingo, 7 de setembro de 2008

Novo Espaço Cultural em Vila Velha de Ródão







Jovens no Espaço Internet

Vista da varanda do Espaço Internet
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«Sem Cura Possivel», de André Brun - Cap. V

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sábado, 6 de setembro de 2008

Dez meses que não mudaram Lisboa

Por Manuel João Ramos

DADAS AS CIRCUNSTÂNCIAS, tentei fazer o melhor que pude. Durante dez meses, apresentei diligentemente propostas e requerimentos, li dossiês, alvitrei aqui e ali, votei de modo a ter o menor peso possível na consciência. Recusei o carro com motorista acoplado, mantive-me afastado de recepções, festas e cerimónias, não vesti o típico fato e gravata negros, e não reuni uma vez sequer com banqueiros, empreiteiros ou sindicalistas. Durante dez meses, senti o serpentear dos infecciosos mecanismos de desresponsabilização colectiva que fazem a rotina diária da mais disfuncional, mastodôntica e inimputável autarquia do país.

Excepto num ou noutro caso, restringi o meu contributo propositivo aos problemas de mobilidade e segurança viária da cidade. Perorei o menos possível, numa vã tentativa de evitar que as reuniões do executivo camarário se prolongassem para além das dez horas. E nunca deixei de anotar e desenhar em caderno próprio a viagem que fiz à volta do mundo da administração local lisboeta em 304 dias.

Em todo este tempo, correndo das aulas para as reuniões camarárias, e destas para casa, volta-não-volta às duas horas da madrugada, uma pergunta perseguiu-me continuamente: “O que estou eu a fazer aqui?”.

A interrogação faz o título do derradeiro livro do viajante-escritor Bruce Chatwin. É uma pergunta comum a todo o antropólogo que se aventura em cantos perdidos do mundo onde os usos, os costumes e as maneiras de pensar lhe surgem como profundamente diferentes dos seus. É portanto uma dúvida que eu era já suposto conhecer como chavão existencial.

A primeira vez que ela aflorou o meu espírito foi logo na tarde do dia um de Agosto de 2007, durante o interminável ritual do beija-mão que se seguiu à tomada de posse dos vereadores da autarquia lisboeta. Ao ver e ao sentir a minha mão direita apertada pela do presidente de conselho de administração de um dos maiores grupos financeiros portugueses, senti um calafrio. É que logo naquele momento a pergunta “O que estou eu a fazer aqui?” ganhou uma coloração bem mais chã que a da mera dúvida existencial, porque se lhe associou inevitavelmente uma outra: “O que está ele a fazer aqui?”. “Ele” era um banqueiro português que não considerou ser tempo perdido despender uma tarde abafada de Agosto marcando presença na longuíssima tomada de posse de um executivo camarário de curta duração.

Nunca mais voltei a cruzar-me com o banqueiro, nos 10 meses em que estive vereador da CML, mas a sua sombra pessoal e institucional nunca deixou de pairar sobre o executivo camarário. Era uma sombra crua que me dizia em surdina “Que estás tu a querer fazer? Quem manda aqui sou eu”.

Ao fim de dez meses, conformei-me: de facto, não estava ali a fazer nada.

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NOTA: Eventuais comentários a esta crónica deverão ser afixados no Sorumbático, e não aqui

Viagem de fim de férias

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Por C. Barroco Esperança
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COM O CÉU ENEVOADO e as nuvens a anunciarem borrasca, no penúltimo dia de Agosto, dei um passeio por velhas aldeias que neste mês voltaram à vida, sobretudo nos dias de festas canónicas, e já se encontram de novo desertas.
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Saí de Almeida para comprar umas bolas de carne, na Reigada, para enfeitar a mesa no dia da Feira Nova, em 1 de Setembro, destinadas a parentes e amigos que ainda vêm. O forno estava alugado aos de Vilar Formoso para confeccionar doces para a festa do dia seguinte. Não faz mal, já não há dias santos, amanhã é domingo, coze o que hoje devia. O Inferno foi extinto, urge ganhar o pão de cada dia, ficaram as bolas encomendadas.
Passei por Vilar Torpim, não enxerguei vivalma. A aldeia tinha ar de ter sido habitada em época recente mas estariam os autóctones fechados em casa, quiçá receosos ainda das lutas liberais.
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Tomei café em Figueira de Castelo Rodrigo. Havia afinal gente nos restaurantes, jovens nas esplanadas dos cafés e repuxos a esguichar num lago que há-de ter surgido para um autarca ganhar eleições. Havia vida na sede de concelho, até crianças a quem os pais hesitaram entre o gelado e o tabefe acabando por aceder ao pedido e desistir do desejo. As vilas ainda se mantêm graças à hemorragia das aldeias e aos empregos municipais.
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Passei pelo convento de Santa Maria de Aguiar, por Nave Redonda, que me pareceu fechada e parei junto à barragem de Santa Maria de Aguiar um razoável lençol de água vulgar apesar da santidade do nome que não evita a conversão em charco ou a seca em estios mais cálidos.
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Em Almofala entrei na igreja onde duas piedosas mulheres que mudavam as flores aos santos me acenderam as luzes e dois homens desmanchavam os andores de uma festa recente para os despacharem para a sacristia. Não cuidei da destruição castelhana em Outubro de 1642 e passei por Escarigo, cujo martírio na Guerra da Restauração foi maior, sem me deter na igreja matriz cujo tecto e talha dourada valem a viagem. Foi José Saramago, em «Viagem a Portugal», que me alertou para essas jóias da arte sacra numa aldeia que guarda memórias e afectos da minha juventude.
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Compadeci-me da velhinha de olhos vagos, com a pele curtida de muitos sóis, absorta, indiferente à passagem do automóvel, perscrutando no horizonte o futuro que lhe resta ou recordando o passado que lhe coube. Estava só, na soleira da porta, sem raios de sol que a aquecessem, sentada, com o céu carregado de nuvens.
Alguns quilómetros depois, atravessei a Vermiosa. Apenas um velho, também só, via o tempo passar do banco de pedra onde tinha a bengala que, decerto, lhe serviria de apoio na volta. Mais à frente jazia na terra um cão escanzelado, imóvel, resignado, indiferente às pulgas e carraças, se acaso as tinha, e milagre era não tê-las.
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Dos dois seres vivos que vi na aldeia, dantes pejada de gente, o cão, rafeiro sofredor, foi a mais eloquente metáfora dos que teimam em ficar nas aldeias que outrora foram um alfobre humano e são hoje um cemitério de recordações.
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Nem dei por passar em Malpartida ao voltar a casa. Esperei pela Feira Nova, que ainda juntou gente, e parti logo.
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NOTA: outras crónicas do mesmo autor - no blogue Ponte Europa

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Esquecer os amigos

Por Alice Vieira
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MORREU a Isa Meireles.
Há quatro dias.
Com direito a um obituário rigorosamente igual em toda a parte: jornalista, começou no “Diário Ilustrado”, andou pelo “Diário de Lisboa” e “Capital”, estava reformada, passava dos 70, morreu de repente.
E fico cheia de remorsos porque, durante anos, a Isa Meireles fez parte do meu quotidiano e agora, ao ler a notícia tão breve da sua morte, dou comigo, sem querer, a murmurar: “julgava que já tinha morrido.”
De repente, ou porque a nossa vida se modifica, ou porque o trabalho nos desgasta, ou porque escolhemos caminhos diferentes, ou sei lá porquê, vamos esquecendo pessoas que nos pareciam imprescindíveis, com quem privámos no trabalho, com quem nos cruzámos diariamente, vamos desabituando a nossa boca de pronunciar os seus nomes, vamos esquecendo o som das suas vozes.
Gostava de saber em que momento da minha vida comecei a esquecer a Isa Meireles, mas não sei. Sei que durante anos nunca pensei nela, e agora, quando de repente o seu nome regressa à minha memória, só me vem à boca aquela frase terrível: julgava que já tinha morrido.
Há uns sites de bem-fazer na net, uma coisa chamada “Click to Give”, que todas as manhãs nos recordam a nossa obrigação de clicar para lá porque, a partir desse nosso simples gesto, podemos ajudar crianças a ter livros, ou o planeta a ser mais verde, ou mulheres necessitadas a fazerem mamografias, ou os animais a serem mais bem tratados, ou mil outras coisas urgentes. Pelo menos é o que nos dizem. E nós acreditamos, claro. E clicamos. Todos os dias. Sem faltar um.
Devia haver uma coisa parecida em relação aos nossos amigos.
Assim que abríssemos o computador, logo uma organização qualquer se encarregava de nos enviar a lista de todos os amigos de quem não nos poderíamos esquecer nunca, nem um só dia, e a gente clicava, clicava , e por cada vez que clicasse o amigo recebia de nós a palavra necessária, e a certeza de que, nem que fosse pelo espaço de um segundo, tínhamos pensado nele.
E sempre que arranjamos tempo para pensar num amigo - nem que seja por um segundo - tornamo-nos melhores pessoas.
Nem são precisos grandes discursos. Uma palavra apenas. A que eu gostaria de me ter lembrado de dizer à Isa Meireles durante estes anos todos de esquecimento.
Porque às vezes basta uma única palavra para nos salvar o dia. Para nos salvar a vida.

«JN» de 31 de Agosto de 2008
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NOTA-1: eventuais comentários deverão ser afixados no Sorumbático - e não aqui.
NOTA-2: não foi possível encontrar uma foto de Isa Meireles para aqui afixar. Se algum leitor tiver alguma, agradecemos que a envie para sorumbatico@iol.pt

NENHUM SILÊNCIO É INOCENTE

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Por Baptista-Bastos
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DIZ-SE QUE MANUELA FERREIRA LEITE vai "quebrar o silêncio". Diz-se que esse magno acontecimento ocorrerá no domingo, no encerramento da Universidade de Verão do PSD. Diz-se, numa amarga perturbação, que a calada senhora, a fim de manter a estratégia da inaudibilidade - apenas sussurrará.
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Esta atmosfera espectral, que o previsível Pacheco Pereira designa de necessária pausa para meditação, não tem sido, propriamente, aplaudida de pé. As dúvidas erguem-se, como puas, nas almas perplexas dos militantes. E a conspiração alastra como eczema. Menezes, feroz e irado com a mudez obstinada da dr.ª Manuela, ameaça com um congresso devastador. Marcelo manifesta-se incomodado e, até, aflito, com a cruel ausência da presidente. Santana Lopes, apesar de primo da dr.ª, não descansa um mísero segundo sem a fulminar com impiedosos comentários. Ângelo Correia abandonou a efusão das metáforas. Proclama que este rumo absurdo conduzirá o partido às profundezas do abismo. A dr.ª usa a retórica do desdém (moita, carrasco!) que deixa os adversários desatinados.
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Mas já não são, exclusivamente, os "barões" a criticar as águas palustres onde, penosamente, se move o PSD da dr.ª Manuela Ferreira Leite. As "bases" começam a embaciar o fascínio sentido pela senhora. Circula um abaixo-assinado no qual se pede uma "sacudidela" à "abulia e à inércia" do partido. As palavras são aprimoradas; mas não deixam de ser rudes.
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A Universidade de Verão parece, na lógica deste panorama, a contra-regra do Pontal; digamos: um sinédrio intelectual e grave, destinado a inculcar em cem ansiosos moços o breviário da "social-democracia" à portuguesa. A coisa é notoriamente confusa. E a identidade dos "professores" uma barafunda pegada, repleta de narcisismos perversos e de nervosas ambições.
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Não sei se os meus pios leitores imaginam a natureza dos discursos de Pacheco e de Leonor Beleza, de António Borges e do general Garcia Leandro, sem omitir, claro!, o inimitável António Vitorino, socialista e tudo, sobretudo nos dias ímpares. Quase todos os nomeados são directamente responsáveis pelo estado a que chegou o País. Parte do descrédito da acção política a eles se deve. O nosso desalento deixou de ceder a qualquer apelo cívico, e as nossas emoções mais asseadas foram letalmente atingidas. A casta que tomou conta da Pátria devia ser condenada por indignidade nacional. Chega a ser infame a lista das prebendas, das reformas sumptuosas, das funções acumuladas, dos duplos e triplos vencimentos auferidos por uma gente desprezível, que entre si partilha o bolo, num macabro trânsito de interesses.
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Os cem jovens que assistem ao conclave de Castelo de Vide vão, com aqueles "professores", aprender - quê? Os exemplos não são virtuosos.
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«DN» de 3 de Setembro de 2008
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NOTA: Eventuais comentários deverão ser afixados no Sorumbático - e não aqui.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Av. Guerra Junqueiro - Lisboa - 1 Set 08









NOTA: Eventuais comentários deverão ser deixados em «O Carmo e a Trindade» e não aqui.

Alianças em anos magros

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Por J.L. Saldanha Sanches
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2009, UM ANO DE CRISE e de eleições. Crise quer dizer necessidade constante de decisões políticas desagradáveis e impopulares. Eleições querem dizer que a maioria absoluta do PS vai provavelmente acabar.
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Como continuar com a política de reformas sem maioria estável?
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A nova edição de um governo com políticas guterristas é impensável. Só se pode negociar com toda a gente e conseguir aprovar leis e orçamento quando há sempre qualquer coisa para distribuir. Largueza financeira, em suma.
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Como havia no tempo em que a descida das taxas de juro criava um excedente: dinheiro para as regiões, dinheiro para as autarquias, para a educação e orçamento equilibrado.
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Na situação que aí vem não vai ser assim e as políticas que vão ser necessárias exigem uma maioria estável.
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Logo, que alianças vamos ter?
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Como o BE e o PCP não aceitam a necessidade da disciplina orçamental, o PS vai ter que fazer alianças à direita. Com quem?
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Se tudo continuar como está vamos ter três possibilidades: bloco central (com o que restar do PSD), aliança com o CDS ou com os deputados de Jardim. Que já explicou que está às ordens.
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Uma aliança com o actual CDS não será apenas contra natura. Portas vai para a Defesa e para mostrar o seu peso político (e por outros motivos) compra uma porta-aviões. Ou qualquer outra coisa tão inútil e dispendiosa com os submarinos. O Dr. Portas tem uma imaginação muito fértil quando se trata de arranjar formas de gastar o dinheiro dos contribuintes.
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Jardim tem a vantagem de só querer dinheiro para a Madeira. O resto não lhe interessa, é instrumental. Mas quem diz Madeira, diz Açores e a mesma dependência doentia dos subsídios públicos.
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Em anos de contenção das despesas, não está mal.
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A terceira hipótese é o bloco central. Uma hipótese desagradável e desprestigiada.
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Mas com funciona o bloco central e quais são as suas consequências?
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Será mais propício ao crescimento da corrupção e do tráfico de influências (as clássicas maleitas da economia portuguesa) do que o governo de um só partido? Dará mais poder e mais lugares às clientelas esfomeadas? Criará um ambiente mais ou menos favorável para se prosseguir com reformas?
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Os acordos para os grandes negócios que geralmente passam pelos principais partidos contribuirão mais ou menos para distorcer a economia se a aliança entre os dois partidos for não apenas privada mas também pública?
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As questões centrais são estas: os males tradicionais da sociedade portuguesa podem aumentar ou diminuir conforme o PS escolha uma solução que lhe dá mais poder (para Jardim ou Portas uma sobras são suficientes) ou a que permite políticas mais racionais. Escolhendo os parceiros mais exigentes em vez dos mais desesperados.
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Por vezes, a escassez permite soluções mais racionais: e as dificuldades dos próximos anos são a única certeza que nos resta. Não vamos ter margem para um aumento das despesas públicas, nem para partilhas orçamentais.
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As alianças e as políticas vão ser todas elas condicionadas pela escassa margem de decisão: por isso qualquer solução tem que ser considerada na perspectiva da escassez de recursos e das consequências das coligações para a gestão dessa escassez.
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A crise económica irá dar o tom essencial a qualquer política de alianças.
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«Expresso» de 30 de Agosto de 2008 - www.saldanhasanches.pt
NOTA: Como habitualmente sucede, eventuais comentários deverão ser afixados no Sorumbático, e não aqui.

domingo, 31 de agosto de 2008

«Sem Cura Possível», de André Brun - Cap. VI




É de mestra! (*)

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QUANDO, POR FIM, chegou a altura de passar a escrito as peripécias que acabaram de ler, peguei no meu computador portátil, procurei um banco numa boa sombra de um jardim sossegado e, inspirado pelo canto dos passarinhos e pelo grasnar dos patos, comecei a trabalhar, entusiasmado.
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Ora, a certa altura, apercebi-me de que uma velhinha, tão pequenina quanto espevitada, se sentava ao meu lado, começando de imediato a espreitar e a bisbilhotar o que eu estava a escrever; e o facto de o monitor ser de matriz activa permitia que ela, mesmo de um ângulo desfavorável, pudesse ver tudo à sua vontade.
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«Que diabo!» – pensei eu – «Como é que ela se pode interessar por um assunto destes, em que quase só se fala de bits e de bytes?!».
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Porém, como não quis ser malcriado, não comentei nem resmunguei e fiz os possíveis por me concentrar no trabalho que tinha de fazer.
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No entanto, apesar dos meus melhores esforços nesse sentido, o certo é que, devido ao nervoso miudinho que se tornara incontrolável, começaram a aparecer mais erros do que o habitual. Felizmente, o corrector ortográfico que eu havia instalado ia corrigindo tudo automaticamente, pelo que a grafia errada apenas se mantinha visível no monitor durante uma curta fracção de segundo.
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Mesmo assim, o diabo da velhinha era terrivelmente perspicaz, pelo que comecei a ver que, a breve trecho, ela produzia surdas interjeições de desagrado quando eu me enganava!
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Era apenas um «Tch...! Tch...!» – seco, mas sumamente irritante!
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A certa altura, não aguentando mais, decidi-me a fechar ostensivamente o computador e a sair dali, não escondendo o meu desagrado pela situação. E foi nessa altura, quando lhe ia deitar um olhar raivoso à laia de despedida, que sucedeu o mais incrível:
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Apesar dos muitos anos decorridos, descobri então que a senhora era, nem mais nem menos do que a D. Judite, a minha antiga professora de escola primária, e que me reconhecera!
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- Seu maroto... – comentou ela, sorrindo – Estás muito crescido!
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Vieram-me as lágrimas aos olhos e fiquei sem palavras!
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- Tenho estado a ver-te a escrever... – prosseguiu – Sabes? Merecias 20!
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«Coitadinha...» – pensei eu – «Mal ela sabe que era o corrector automático do processador de texto a trabalhar!»
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Mas uma surpresa maior veio logo a seguir:
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- Jeremias, grande maroteco... Julgas então que eu não conheço o Word e essa função do auto-correct, hem?!
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Fiquei banzado! E ainda eu não tinha fechado a boca de espanto quando ela concluiu, ao mesmo tempo que me dava dois beijinhos de despedida:
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- Vai-te lá embora, que tu bem merecias 20... reguadas!
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(*) - Capítulo XIV, com que termina o livro «Jeremias dá uma mãozinha», de CMR, Ed. Plátano, 2006.
Para receber uma versão de distribuição restrita, enviar um e-mail para medina.ribeiro@netcabo.pt escrevendo, em 'assunto', o título do livro.

sábado, 30 de agosto de 2008

Notícias dos CTT

1 - PRÉMIO DE €50 para quem encontrar uma destas maquinetas que funcione
Fora de Serviço (em português e em inglês técnico)

Quiosque para navegação na Internet, cofinanciado pelo FEDER e pelo Plano Operacional para a Sociedade do Conhecimento
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Foram criados 10 milhões de endereços de e-mail. Alguém é capaz de indicar meia-dúzia?
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Dão esta resposta, pelo menos, as máquinas das estações da Av. de Roma e Av. João XXI quendo se lhes pede um selo para "livros": Se a correspondência pesa mais do que ZERO gramas... está tramado!

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2 - PRÉMIO DE €50 para quem encontrar um quiosque de venda de selos que aceite cartões
Eram assim estes cartões... quando existiam!
O da esquerda, emitido pelos CTT, custava €5,49. Desapareceu.
o da direita podia ser dado, ou vendido - dependia dos bancos.

«Inserir o PMB ou o Cartão Netpost». Onde é que se adquirem? Alguém sabe?

A solução dos CTT: tapar a referência aos cartões...
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Máquina de venda de selos na Estação da Av. de Roma: dias seguidos fora de serviço.
Av. EUA, à porta da estação do CTT. A empresa colocou uma autocolante a tapar a indicação do PMB; mas, além da fenda lá continuar (como sucede em todos...), o logótipo vê-se à transparência.
Avenida da Igreja, em Lisboa, Agosto de 2008
À porta da estação do CTT: pede-se a "quantia exacta" e "sugere-se" o uso do defunto PM-Multibanco!
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Alguém sabe onde é que se vendem envelopes selados de correio normal para Portugal?
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Lembram-se de um serviço pré-pago, que havia, e que permitia escrever cartas no computador e enviá-las pela internet? Eram impressas na estação mais próxima do destinatário e entregues rapidamente.
Foi assim que consegui contactar uma pessoa amiga em Castelo de Paiva, aquando da queda da ponte de Entre-os-Rios. O serviço acabou...
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Envelopes almofadados, de correio normal para Portugal, formatos M e L, estão esgotados em várias estações "porque é Agosto". No fim do ano sucedeu o mesmo, "porque era Natal".
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Alguém conhece alguma estação dos CTT onde se possa pagar com Visa ou MB?

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Edição de 1988
Embora não seja em 2ª mão, o livro está um pouco manuseado (da loja). Foi, no entanto, incluído no passatempo «Agosto em Lisboa» [v. aqui] porque o título vem a propósito da crónica de Alice Vieira. Vai, então, ser enviado para 'Mr. Shankly'.
Bom fim-de-semana e obrigado a todos!