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As semelhanças param aqui.
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Ainda é muito cedo para falar e ninguém deve saber ainda qual a extensão do desastre mas tudo indica que o BPP foi a vítima portuguesa da onda de loucura e irresponsabilidade que varreu a banca mundial.
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O Dr. João Rendeiro introduzia gloriosamente em Portugal aquilo que a que o Dr. António Borges chamava a maior invenção do século, pondo-a ao alcance dos seus clientes portugueses.
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Uma ilusória sofisticação financeira que acabou como se sabe. Provavelmente depois dos erros as irregularidades do costume quando tudo começa a correr a mal e se procura manter os ganhos com recurso a produtos ainda mais arriscados, com desrespeito da vontade expressa pelos clientes e violação de contratos.
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Tudo isto é grave e facto de ter acontecido por toda a parte não pode servir de desculpa. Não tem é nenhuma relação com o que passou no BPN.
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O facto de a crise BPN ter acontecido no meio de outras crises não se deve ao facto de o BPN – a julgar pelo que se vai vendo por aí – pertencer a onda da nova banca e dos novos produtos financeiros e de ter à sua frente gente embriagada pelos novos produtos e pelos novos investimentos.
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O contraste com o BPN não poderia ser maior. Aí não temos gestores embriagados com a nova economia. Temos um bando de gente boçal que compra protecção política para cometer crimes sórdidos sem grande disfarce e sustentados apenas pela impunidade garantida.
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A crise do BPN coincide com a crise financeira porque quando esta começa já ninguém investe mais e nesse ambiente as fraudes não podem sobreviver. Quando a maré baixa, o lodo fica a descoberto. Coincide com a do BPP mas é inteiramente diferente desta.
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A actuação dos auditores demonstra isso: no caso do BPP, os auditores têm as culpas genéricas que têm os reguladores norte-americanos ou britânicos que aceitam a contabilização de derivados cujo valor real ninguém conhece ou as empresas de rating que garantem a solidez financeira de empresas à beira da falência. Inocentes, não estão. Contudo, em períodos de loucura generalizada, mais vale discutir métodos do que tentar responsabilizar pessoas.
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No caso do BPN, os auditores fogem em pânico depois de denunciar o que se passa. No BPP os auditores fazem o mesmo que faziam os dos muitos bancos que só são salvos in extremis quando a revolução financeira acaba com um enorme estoiro.
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Com as regras actuais de supervisão bancária, com o recurso sistemático a off-shores e as suas inevitáveis de obscuridade tudo isto era inevitável.
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Já o BPN só pode comparar-se com o extraordinário caso Madoff: avisos foram ignorados e a SEC neutralizada mediante algumas cumplicidades devidamente obtidas.
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Fomo-nos acostumando a tudo e as estruturas que nos deveriam proteger são demasiado fracas, o discurso hiper-garantista continua a ter curso. É isso que explica os muitos BPN deste país.
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