sábado, 5 de outubro de 2013

Putin 1 – Nobel 0 (?)

Por Antunes Ferreira
LÊ-SE – e não se quer acreditar; mas tem-se de o fazer perante os textos distribuídos pelas agências noticiosas. Vladimir Putin foi proposto para o Prémio Nobel da… Paz. A proposta foi anunciada na terça-feira passada pelo presidente da Academia Internacional da União das Nações do Mundo pela voz do presidente da instituição, Gueorgi Trapeznikov.
A bem da verdade, nunca se tinha ouvido falar desta Academia cujo nome se afigura, no mínimo, incongruente. Se ela é Internacional, para quê a União das Nações do Mundo? Ou será que esta última precisa de ser internacional para que seja conhecida? E num Mundo em que as guerras, os atentados, os golpes de Estado, a confrontação, será que é possível falar nessa união de todas as nações? Ou serão “quase” todas?
A ser assim, ter-se-á de mudar a designação da Academia? Cuidado. O presidente da Associação sedeada em Moscovo – pois que outra haveria de ser? – o senhor (ou talvez ainda seja “camarada”) Trapeznikov não esteve com meias medidas, afirmando que "Conhecemos bem o papel pacificador que desempenhou o nosso presidente em zonas conflituosas". E deu o exemplo do caso sírio. Pronto, já está.
Aliás, e para que não se verifiquem quaisquer mal entendidos, a carta - para efeitos da candidatura do presidente da Rússia –já foi enviada à Comissão Nobel, mais precisamente a 16 de Setembro tendo sido acusada a sua recepção a 20 do mesmo mês. O processo arrancou, portanto. E quem o transmite é a agência noticiosa oficial ITAR-TASS.
Cabe aqui um esclarecimento: a TASS era a abreviação de Telegrafnoie Agentstvo Sovetskogo Soiuza, ou seja a Agência Telegráfica da União Soviética que foi a agência de notícias soviética oficial, de 1922 a 1991. Mas como o nome TASS era muito conhecido, ele foi posteriormente adicionado à sigla ITAR, ficando agora como a   Telegrafnoye Agentstvo Svazi i Soobshcheniya, o que quer dizer  Agência Telegráfica de Comunicações e Reportagem.
Sem desprimor, foi mais ou menos o que aconteceu quando Marcelo Caetano chegou ao poder depois da queda do “mais belo dos ditadores europeus”, epíteto com que um veterano oficial britânico mimoseou Salazar no princípio da II Guerra Mundial. A União Nacional foi transformada na Acção Nacional Popular, a PIDE mudou para Direcção Geral de Segurança e por aí adiante.
Por singular coincidência – finalmente elas existem… - o ministro Crato, garantiu há dias aos reitores das universidades públicas portuguesas que a intenção de criar um novo sistema de autonomia reforçada, já anunciado, levaria em linha de conta "o que as universidades-fundação já conseguiram". Não há mudança, a não ser na designação. Resumindo: mudam-se os tempos, mudam-se as vontades? Não, mudam-se os nomes para ficar tudo na mesma, na paz do Senhor.

Vladimir Vladimirovitch Putin  é o actual presidente da Rússia, depois de um jogo de cabra-cega com Dimitri Mdvedev. Enquanto Putin foi presidente, Medvedv era primeiro-ministro; depois inverteram-se as funções entre os dois. E agora voltou tudo à primeira forma. Curioso. Mas, Putin foi agente e chefe dos serviços secretos soviéticos, KGB, e após a queda da URSS, ainda foi o patrão da FSB, que substituiu a sua antecedente. Uma espécie de jogo das cadeiras. 
A KGB, como se recorda, tinha a sua sede na Praça Lubianka em Moscovo, e por isso a polícia secreta ficou conhecida pelo mesmo nome. Ficou tristemente “famosa” pelas milhares de mortes e brutais interrogatórios realizados no seu subsolo; mas também foi o laboratório da criação de venenos do governo, que fizeram algumas das vítimas mais conhecidas dos regimes dos ditadores Estaline e Brejnev.
É este mesmo Putin que foi proposto para o Nobel da Paz. Por uma organização a respeito da qual o seu porta-voz, Dmitri Peskov, disse que desconhecia as pessoas que tinham feito a proposta e se essas pessoas tinham as "necessárias faculdade" para o fazer. Aliás, ainda acentuou que "Putin não é partidário de receber condecorações ou prémios. É, sim, partidário de encontrar satisfação conseguindo resultados com o seu trabalho".
Os proponentes, entretanto, aquando da comunicação da proposta, tinham sublinhado que se o Nobel da Paz fora já atribuído a Obama, mais do que razão para que fosse dado a Putin. Lógica irrefutável. E irrevogável.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

A derrota do Coelho, a vitória do Seguro, o surgimento dos homens livres e um misterioso desaparecimento


Por Pedro Barroso

O POVO falou ontem e explicou bem que, apesar de não lhe apetecer muito, lá foi aparecendo e dizendo que quer outra coisa.
Claro que o braço fiscal da Merkl tinha de sofrer as consequências e Seguro estava sempre seguro disso. Ganharia sempre. Era claro que sim. Portas, o rei da ubiquidade, conseguiu perder e ganhar ao mesmo tempo. O Governo afunda-se mas já mostrou não ter vergonha na cara; já nada espero destes senhores, para não lhes chamar garotos.
Agora há um problema que me merece uma análise especial.
O António, a Pipas e o Bernardo estão tristes. O BE desapareceu.
Ocupados como estavam com as respectivas questões maiores de suas vidas, foram acreditando que tal força lhes acabaria por resolver os diferendos entre as coisas do quotidiano e a política, numa intervenção sagaz, mas sonhadora, pratica mas flexível, socialista mas com estilo próprio.
Tão distraídos andaram, que nem se deram conta que já saíram devagar os homens inteligentes que fundaram tal ideia e a tornaram eventualmente em tempos, uma lufada de ar fresco na política, incisiva e argumentativa, sabedora e autorizada, diferente.
Vejamos. António militava no sector ecológico e absorvia-se diariamente com os urgentes problemas dos linces da Malcata e de Silves. Ultimamente entrara em empenhado mestrado sobre o stress traumático das gaivotas ribeirinhas, após verificar os numerosos atropelamentos das graciosas aves no Terreiro do Paço e Cais Sodré.
A Pipas era uma militante de primeira hora. A causa feminista preenchia todo o espectro da sua actividade cívica e não só. A privada também. Embora puxe a barba nos braços e na cara com navalha, para aumentar a pilosidade, usa corte de cabelo à homem, curto; fala com palavrões e profere insultos ao volante. A sua feminilidade equivale à do senhor Lopes do talho e foi uma lutadora desde sempre pelo casamento lésbico, pena até agora não se ter ainda fixado o suficiente numa parceira para que isso lhe pudesse acontecer.
O Bernardo é um ser vocacionado para a arte e a performance. São conhecidas as suas obras de plástico ornamental, bem com os concertos para almofariz e tuba, muito aplaudidos por todos os amigos reunidos na sala, em número de dezassete, um dia, em Braço de Prata.
O Morais, ex militante da UDP, em tempos que já lá vão, anda furioso, pois isto só lá ia mas era à cacetada; e olhando à sua volta não vê pessoal que queira andar à porrada nas ruas impondo a evidente razão das suas perspectivas.
O Antunes apela ao bom senso dos camaradas no sentido de uma esquerda organizada evoluída e sensível, que saberá sempre fazer a diferença dos grosseiros e cristalizados comunistas, e terá sempre espaço político - excepto se não tiver e se devorar a si mesma.
Rosalina, militante distraída durante o Verão, ajuda na limpeza das praias, mas continua a acreditar que o que é urgente mesmo para o país é dar águas limpas à truta do rio Ave e combater a poluição no Sousa, pois só assim as pessoas poderão encontrar emprego na região.
Já o Ricardo, sindicalista, acha que não, e que é preciso primeiro empregar as pessoas e depois, sim, ir limpar os rios e puta que pariu os efluentes e a Rosalina.
Resultado: os militantes BE estão tristes, derrotados, impotentes e não se entendem. Habituados a causas delicadas e sensíveis, coisas evoluídas e de bom gosto, acontece que a troika trouxe-nos problemas grossos - um Estado que rouba, reformados que são assaltados, impostos cruéis, um Governo desgovernado e mentiroso. E a coisa não se remedeia com a aprovação da adopção para o casamento gay, nem com a reconstrução da linha do Tua.
Habituados a bordar, agora é preciso rasgar, romper. Habituados a apanhar folhas, agora é preciso cavar. Política agora, por assim dizer, tem de fazer-se de tractor. E para tal propósito que haverá melhor que o velho, absolutamente inefável, mas sempre confiável Partido Comunista Português, com seus valores tipo Condado portucalense, foice e martelo, avante camaradas, internacional e tudo isso, caramba? Um luxo! Viu-se ontem; meio Portugal vermelho, ao bom estilo 25/4. Ora bem.
Quanto a mim os dirigentes nacionais do BE não souberam explicar-nos afinal, na prática, qual a diferença, no verbo e no voto com o PCP. Não quiseram – ou quiseram mas não souberam…- construir a Grande Esquerda Unida que sonhara Louçã. Mantiveram uma direcção bífida e mista, suponho que mais para respeitar a paridade sexual que outra coisa. Mantiveram o pensamento em bloco - infeliz e vaga expressão para tão dispersa e afastada gente. Não souberam entender nem facturar, apoiando as candidaturas independentes - aos milhares - que por toda a parte surgiram pelo país.
Essas foram, aliás, as grandes vencedoras de ontem. Essas sim, de gente livre que não deve nada a ninguém e se desiludiu há muito, por não ver saídas nem rotas de alcançar que não seja irmos, agarrarmos no Futuro e fazê-lo por nossas próprias mãos, com os erros possíveis e as glórias possíveis, mas num acto de desespero e esperança ao mesmo tempo.
A responsabilidade está em nós.
Os partidos estão falidos. De ridículo, de ideias e de credibilidade.
Houvesse candidaturas livres a deputados nas Legislativas e veríamos a hecatombe…

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Jesus e as autárquicas


Por Antunes Ferreira
NUMA SEMANA em o Tribunal Constitucional deu mais uma machadada na credibilidade do (des)Governo considerando inconstitucionais seis normas propostas por São Bento para alterar a Lei do Trabalho;
Numa semana em que o porta-voz do PSD, Marco António Costa, considerou que seria encontrada uma solução que torne viáveis as normas do Código do Trabalho declaradas inconstitucionais, que assinalou terem sido aprovadas "sem terem o voto contra do PS";
Numa semana em que terminou a campanha eleitoral para as autárquicas que decorrem neste domingo, 29 de Setembro, e na qual esta deliberação do TC veio servir de arma de arremesso para a esquerda e para a direita, o assunto mais falado em Portugal foi a situação de Jorge Jesus, o treinador do Sport Lisboa e Benfica. Isto exemplifica bem o pensamento dominante da população portuguesa.
Uma esmagadora maioria dos cidadãos seguiu e segue e seguirá o evoluir da situação criada pelo técnico encarnado que no final do jogo no estádio D. Afonso Henrique, na cidade de Guimarães ao envolver-se num distúrbio resultante da entrada em campo de adeptos benfiquistas e que motivou a intervenção da PSP.
Como acontece sempre em desacatos com esta dimensão, cada parte arrogou a sua justificação para a desordem. A Polícia entendeu que o técnico do Benfica se portou mal, tendo agredido agentes da força pública e seguranças que tinham intervindo no que se passara. Jesus negou que assim tivesse sido, no que foi acompanhado pelo presidente do clube, Luís Filipe Vieira.
A PSP anunciou, entretanto, que iria interpor a acção que entende corresponder ao destempero do treinador junto dos tribunais competentes. O advogado do técnico declarou que o caso não passava de uma tempestade num copo de água, que o seu constituinte não agredira ninguém, obviamente polícias.
Porém, a situação complicou-se com a entrada em cena da Federação Portuguesa de Futebol, através do seu Conselho de Disciplina ter ordenado a instauração de um inquérito disciplinar a Jorge Jesus, pelo episódio ocorrido em Guimarães. Este seguiu, em conformidade, para a Comissão de Instrução e Inquéritos (CII) da Liga Profissional.
Esta última também abriu de abriu de imediato processos disciplinares a todos os envolvidos nos incidentes, nomeadamente ao treinador do Benfica, à equipa de arbitragem (liderada por Bruno Esteves e composta ainda por Mário Dionísio, Rui Teixeira e Manuel Oliveira) e aos delegados da Liga (Paulino Carvalho e Carlos Santos).

Se em relação a Jorge Jesus o procedimento surgiu com naturalidade, dado que já era esperado, não deixa de causar estranheza que também árbitros e delegados estejam sob a alçada disciplinar. Segundo a Lusa, tal deve-se ao facto de a CII da Liga entender que existem indícios de omissão do dever de informação nos respetivos relatórios.
A decisão da Comissão de Instrução e Inquéritos foi tomada com base nos relatórios da PSP e dos delegados, e fundamentalmente através das imagens televisivas dos incidentes. E aqui o principal problema que pode complicar a vida de Jorge Jesus resulta das cenas capturadas pelas câmaras das televisões. Mais ainda: as redes sociais encarregaram-se de passar essas imagens que, desta forma, se espalharam pelo Mundo.
O próximo passo para o apuramento de responsabilidades, ao nível da justiça desportiva, é chamar todos os intervenientes e testemunhas para prestarem declarações. Caso seja provada a agressão, o que é o pior dos cenários em termos disciplinares, Jorge Jesus será suspenso entre três meses e três anos.
Estão, pois, reunidos os ingredientes para se cozinhar um prato altamente picante e, até, tóxico. Os Portugueses, que pouca atenção dispensaram à campanha eleitoral, viraram-se para este tema escaldante. No fundo, estão nas tintas para a política e voltaram-se, como habitualmente para o futebol.
Há muito que esta atenção se verifica a nível da população. Recordo que no tempo do salazarismo existiu um ditado elucidativo: “Quem não é do Benfica não é bom chefe de família”. Complementado de resto por outro slogan cabotino: “A minha política é o trabalho!”
Tal como nas primeiras telenovelas apresentadas na RTP, já lá vão uns bons anos se informava que eram apresentados de seguida “cenas do próximo episódio” Ora este “importantíssimo assunto “ leva ao desencanto quanto às eleições para as autarquias, em detrimento do caricato “Processo Jesus”.
Vamos ver no que isto dá: em primeiro lugar este último; depois, os resultados dos votos introduzidos nas urnas. Já o Estado Novo defendia que em Portugal havia a trilogia dos três F: Fátima, futebol e Fado. Mas o fado que vivemos não é apenas triste: é catastrófico.


domingo, 22 de setembro de 2013

O fim do Mundo e o cozido à portuguesa

Por Antunes Ferreira
OS HUMANOS - com as características que hoje temos - sempre se preocuparam com o fim do Mundo e muitos dentre eles previram e anunciaram como isso ia acontecer e, sobretudo, quando. Essas “profecias” continuamente indicaram a data fatal e fizeram-no para que a Humanidade se preparasse a fim de se precaver contra o cataclismo universal.
Aproveitando mais um falhanço da “previsão” do pastor protestante Harold Camping, que pela segunda vez pressagiava o dia da ocorrência final, a Times publicou em 2011 um curioso trabalho em que alinhavava as dez mais importantes conjecturas alinhadas ao longo da História. Trabalho complexo, simultamente de compilação e de motivo de ironia.
É dele que respigo uns quantos apontamentos, não pretendendo que sejam lidos como um suposto tratado sobre a matéria. Se o tentasse fazer morreria de exaustão, naturalmente antes do fim do Mundo. Na verdade e retomando os “cálculos “de Camping, em 1992 ele anunciara que dois anos depois, ou seja em meados de Setembro de 1994 estaríamos todos no Paraíso ou no Inferno… Penso, no entanto, que nessa data ainda existia o Purgatório e por isso ele também poderia ser o último apeadeiro do comboio do nosso planeta azul.
Face ao desabar da congeminação, ele não descansou e voltou à carga em 2011, desta feita garantindo que não se enganava na data do apocalipse final: 12 de Dezembro de 2012. O diabo é também a decepção foi total. Perante esta segunda “desgraça” o futurólogo decidiu aposentar-se da sua função de anunciador do tal fim e dedicar-se a obras de benemerência ou, quiçá, à pesca, de acordo com fontes idóneas e bem informadas.
 Mas já no século XIX um outro pastor norte-americano,  William Miller, a quem a Time chamou "provavelmente o mais famoso falso profeta da história", se dedicara a essa tarefa, verdadeira terapêutica ocupacional. Ele começou a pregar o fim do Mundo no começo da década de 1840, dizendo que Jesus retornaria à Terra e o planeta arderia em fogo em alguma data entre 21 de Março de 1843 e 21 de Março de 1844. Naufragou.

Faça-se uma tangente pelo mais do que famoso bug dos milénios: na passagem de 1992 para 2000 os computadores soltariam o seu último clique e os homens não poderiam fazer mais do que resignar-se e preparar-se para o Big Bang do fim do tempo. Outra presciência, outra desilusão. O ano de 2000 entrou decidido a dar cabo da antevisão. Nada feito. E até os Maias…

Mas, a que vem este arrazoado?

O fim da Humanidade está em contagem decrescente, revelou há dias um estudo britânico que esclarece que o planeta Terra só será habitável nos próximos 2 350 milhões de anos. Já não é mau. A mim não tira o sono…O cálculo é de investigadores da Universidade de East Anglia, no Reino Unido e foi publicado na revista Astrobiology. Nele, os cientistas explicam que a Terra deverá entrar na zona quente do Sol, acabando assim com as condições de habitabilidade do planeta, uma vez que os oceanos se devem evaporar.

«Haverá uma extinção catastrófica e terminal para toda a vida», disse o diretor do estudo, Andre Rushby, citado pelo Daily Mail. Porém, alertam ainda, o planeta pode deixar de ser habitável antes, daqui a 1 750 milhões de anos, uma vez que o estudo determina que a entrada na zona quente do Sol deve acontecer entre as duas datas milionárias- de anos.
Vá lá acreditar-se em prescientes. É que agora a roca fia mais fino. Não se trata de mais uns aldrabões; são cientistas, ainda que com uns laivos de Nostradamus. Eles não brincam e usaram os mais sofisticados meios para chegarem a uma tal conclusão. Mas, com esta mania de não confiar em ninguém, sequer mesmo da própria sombra, permito-me ter as minhas dúvidas.
Repare-se: eles não afirmam concludentemente que a desgraça acontecerá pelas 19:46 do dia 18 de Março do ano de 235000000. Nada disso: ficam-se por uma indecisão de 600 milhões de anos. Não se faz; mas pergunto: então a ciência não é exacta? Sempre me disseram que sim e eu, ainda que um tanto com um pé atrás, acreditei piamente. E agora, que fazer?
Para já – e escrevo no dia do meu aniversário, 20 de Setembro - não vou marcar nada na minha agenda entre 2350 e 1750 milhões de anos. E embora já o tivesse apontado, nem um cozido à portuguesa.

domingo, 15 de setembro de 2013

Uma lei imoral

Por Antunes Ferreira
COMO DIZEM os Brasileiros - no que respeita à lei que estabelece a convergência das pensões entre o sector público e o sector privado, e que reduz 10% as pensões dos reformados do Estado de valor superior a 600 euros - a coisa está preta. E está. A antiga líder do PSD, e ministra das Finanças e da Educação do Governo chefiado por Cavaco Silva, afirmou no seu comentário habitual no programa Política Mesmo da TVI24 que essa lei é “imoral”.

O (des)Governo chefiado (???) por Passos Coelho avançou com esta medida e muita gente interpretou-a como se ela fosse uma vingança contra o Tribunal Constitucional. De que o (des)Executivo não gosta e Coelho ainda muito menos. Vejam-se os comentários infelizes por ele proferidos no encerramento da Universidade de Verão dos ditos sociais-democratas. Que, de resto, não foram refutadas, nem sequer contestadas.

Pode-se referir que Manuela Ferreira Leite estará a tentar recuperar o facto de ter perdido a liderança laranja justamente contra Passos. A ser assim, bem podemos estar a assistir a passos de dança, onde um parceiro da mesma cor tenta desforrar-se do outro, no caso presente, uma parceira a tentar dar cabo do outro.

Ferreira Leite usou uma linguagem muito dura e cáustica ao referir-se ao assunto, chegando mesmo a dizer que se trata de socializar a classe dos reformados do Estado, deixando uma conclusão acérrima: para ela é uma medida que um  qualquer Governo Comunista não enjeitaria. Mas a economista não se coibiu de acusar quem produziu a lei, afirmando que ela, a lei aprovada na última quinta-feira em Conselho de Ministros  “antes de ser constitucional ou não ser constitucional (…) no ponto fundamental é profundamente imoral. E na política, como na vida, nós, a despeito dos objectivos, temos de olhar aos meios que utilizamos para atingir esses objectivos”.

A antiga presidente do PSD falou mesmo em “leviandade, ligeireza e superficialidade” como esta matéria está a ser encarada pelo (des)Governo, - o parênteses, como sempre, é meu - fazendo ressaltar que o diploma “Agride uns princípios tão fundamentais e tão básicos do que é a relação entre as pessoas, do que é a construção de vida das pessoas, do que é o drama que implica nas pessoas, que não creio que haja o direito de ele ser aplicado sem ser com uma profunda ponderação que deve envolver as forças vivas deste país”.
Mas foi ainda mais longe considerando ainda uma “brincadeira de mau gosto” que esta medida seja apresentada pelo Governo como temporária enquanto o país estiver em crise porque os objectivos do Governo não serão atingidos”. “O único objectivo disto é transmitir ao Tribunal Constitucional que esta é uma medida temporária e não definitiva. Não sei quem acredita nisto”.
Ferreira Leite prevê também que dentro de algum tempo o Governo apresente cortes nas reformas que vão atingir todos e não apenas os aposentados da função pública. “Esta medida é um teste a pessoas que não fazem greve, que não têm representação na concertação social, que não têm nenhuma legislação que os proteja. Mas é evidente que isto não resolve nenhuma reforma orçamental”.
Basta de citações. O ditado que diz que “com amigos destes mais vale ter inimigos” tem aqui plena validade; outro rifão afirma que “zangam-se as comadres descobrem-se as verdades”. Coelho e os seus asseclas estão uma vez mais confrontados com uma castanha que lhes pode explodir nas bocas. E, ainda por cima, daquelas que não se podem tirar das brasas.

Porém, infelizmente, tudo indica que o poder já se habituou a tentar todos os golpes para dar cabo dos cidadãos, começando pelos trabalhadores da Função Pública até chegar aos das empresas privadas. O que quer dizer que é necessário estarmos todos preparados para o que pode ocorrer – e que é plausível que a todos nós, Portugueses, nos bata à porta.  

Que fazer, então? Sendo profundamente pacifista, não descarto a hipótese de aparecer por aí um Buiça ou mais, que comecem a sua tarefa em Belém e a acabem em São Bento, passando por outros locais onde existam (des)governantes. Infelizmente, se tal acontecer, poderemos ter uma guerra civil. Mas também há quem diga que estamos tão mal que esse seria o menor.

Nós, os Portugueses, somos uns sujeitos que no entender do falecido Padre Américo se enquadram no que disse: “não há rapazes maus”. O problema é que logo acrescentaram (e perdoe-se-me o vernáculo): “mas há por aí uns quantos filhos da puta”.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Lázaro ressuscitado


Por Antunes Ferreira
SINÓNIMO de bom orador na língua portuguesa é António Vieira, ou para ser mais preciso, o padre António Vieira. São mais de 500 os seus sermões, dos quais o Mais conhecido é, indiscutivelmente, o de Santo António aos Peixes. A oratória foi pelos séculos XV, XVI, XVII e XVIII, praticada pelos sacerdotes do alto dos seus púlpitos.

Já na Antiguidade a fama de Demóstenes em Atenas e de Cícero em Roma na arte de bem falar, perdurou por séculos e séculos e ainda hoje se refere que o grego, gago de nascença, usou para corrigir a dicção, falando com seixos na boca; isto durante uns anos até se tornar o orador que assim entrou na História Universal.

Por seu turno, o romano ficou célebre pelos seus discursos entre os quais se destacam as catilinárias, feitos no Senado de Roma e perante o povo, contra Catilina, um nobre que tentava destruir as instituições republicanas. Quousque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? Até quando, enfim, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? A frase continua e continuará a ser usada.

O padre Teodósio, Teodósio de Jesus Pimenta, nascera com o dom da palavra. Nascera, crescera e chegara a sacerdote empunhando a oratória como arma de arremesso contra o demo e seus seguidores, em nome de Cristo ainda que não se saiba se este lhe terá passado procuração para o efeito. Afastem-se minudências sem grande valor.

Todos os Domingos saía sermão, sem falha, sem hiatos, persistente, pontual e verdadeiro. Pastoreava uma freguesia, onde vivia com sua irmã Celestina. Diziam as más línguas que era apenas uma justificação perante o mundo, pois que Teodósio e Celestina partilhavam a mesma cama. Adiante; línguas viperinas.

Pois numa manhã de Domingo, Teodósio acordou rouco. Rouco? Rouquíssimo. E o sermão? Nisto meditava quando se dirigia à igreja paroquial e por isso disse com decibéis negativos ao sacristão Jaquim. Como iria ser? Ninguém o entenderia com aquele falar roufenho. Uma desgraça!

Jaquim atalhou a desdita: Padre Teodósio, hoje é a homilia sobre o Lázaro e eu já o ouvi tantas vezes que a sei de cor e salteado. Vou eu para o púlpito e digo-a ao seu rebanho. Nem pensar, tu és um desbocado, nem que lavasses a boca vinte vezes em água benta deixarias de o ser. Nada, padre; eu subo e o senhor fica cá em baixo e no caso de alguma derrapagem avisa-me e eu corrijo.

E assim foi, ainda que o bom clérigo desconfiasse do que poderia acontecer; atento, foi ouvindo. Lá em cima, o Jaquim começava: Voltara o tipo à Judeia e padre Teotónio dirigindo-se ao sacristão: é Jesus, Nosso Senhor. E o orador, pois meus irmãos, enganei-me: voltara Jesus Nosso Senhor à Judeia e ao chegar a Betânia vieram umas gajas aos gritos

Não são gajas! São santas mulheres, entre as quais Marta a irmã do falecido que informou o Senhor da morte de Lázaro, sepultado já há quatro dias e o sacristão emendou, ipsis verbis, prosseguindo: só tu, Senhor o podereis ressuscitar. Então as santas mulheres conduziram Jesus Cristo, à tumba de Lázaro. Ali chegados

O eclesiástico pensou de si para si, o Jaquim entrou nos eixos. Safa! O dito cujo prosseguiu: O filho de Deus impôs as mãos e disse Lázaro levanta-te e anda. E o ressuscitado levantou-se e andeu. Teodósio quase perdeu o tino e, regougou para cima: é andou, estúpido, é andou, estúpido. O sacristão; pois andou estúpido durante três dias e depois passou-lhe   

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Um pouco azarada

Por Antunes Ferreira
SÓ EM AGOSTO morreram cinco bombeiros quando combatiam os incêndios florestais que todos os anos assolam o nosso País. Todos os anos também as autoridades e os governantes se insurgem contra os que não tomam os cuidados prévios para obstar a que o fogo destrua árvores, mas também plantações e até casas. Todos os anos se repetem os avisos para que a limpeza do mato e a abertura de aceiras permita o acesso dos homens e mulheres que combatem as chamas. Aparentemente em vão. Infelizmente em vão.
Durante os dezasseis anos em que trabalhei no “Diário de Notícias” incluindo alguns como chefe da Redacção, tive a oportunidade (má) de coordenar as reportagens desses sinistros, mas também de ouvir os governantes com mais responsabilidades neste particular que, antes da época estival, anunciaram que os meios de combate aos fogos tinham sido reforçados para acorrer às futuras necessidades, tinham-se até criado entidades próprias para superintender os trabalhos no terreno.
Passou agora um quarto de século – leram bem, um quarto de século, ou seja 25 anos – do dia em que aconteceu o grande incêndio do Chiado. Os meios da comunicação que existiam à data desenvolveram as reportagens mais completas sobre o inferno que se abatera sobre uma zona muito especial da capital. Eu próprio tive a oportunidade de me deslocar à rua do Crucifixo, onde a minha mãe estava num lar, para ver se lhe era necessário algum acompanhamento, pois as senhoras foram retiradas do braseiro.
Escrevi então uma crónica que intitulei Ai o meu canário pois a minha progenitora havia saído do local e na atrapalhação dos trabalhos de salvamento esquecera-se da gaiola do pássaro que lhe fazia companhia. E, obviamente, do bicho. Quando a consegui encontrar e verifiquei que felizmente estava sã e salva, o que, como se compreende, me deixou finalmente acalmado, a Dona Glória voltou-se para mim: ai o meu canário!
A experiência ensina sempre qualquer coisa ao homem. Neste caso dos quatro mortos no exercício de funções tão difíceis e complicadas, verificaram-se várias reacções. Muita gente enviou os pêsames às corporações a que pertenciam os inditosos bombeiros e bem assim às respectivas famílias. O caso que mais comoveu o público em geral foi o que se verificou com uma bombeira, Rita Silva, que com a brigada de que fazia parte, oriunda dos arredores aqui de Lisboa.
O fogo aconteceu no Norte, mais precisamente na serra do Caramulo. A infeliz percorreu muitos quilómetros para ir encontrar a morte. Mas, poucos dias depois, ou seja na quinta-feira desta semana, e ainda na mesma serra, foi a vez de mais uma bombeira, Cátia Pereira, de 21 anos, dos Voluntários de Carregal do Sal. Sete elementos mais que combatiam o fogo ficaram feridos, quatro da mesma corporação e três pertencentes aos Grupos de Intervenção, de Prevenção e Socorro (GIPS) de Santa Comba Dão. Dos quatro primeiros -quando redigia esta crónica, na mesma quinta-feira - ainda não se sabia a sorte de dois, pois tinham sofrido queimaduras graves em 60% do corpo.
Desde 1980, 107 bombeiros portugueses morreram por causa dos incêndios. Conforme dados da Autoridade Nacional de Proteção Civil, o mês de agosto é a época de maior ocorrência de incêndios florestais e apenas 1% tem causa natural. Os principais motivos estão relacionados a negligência e acidentes após queimadas irregulares e outras práticas proibidas nesta época do ano.
A morte dos bombeiros causou comoção nacional. Cerca de mil pessoas acompanharam o funeral de Rita Pereira, e a partir daí, milhares de utentes da internet registram protesto na página da Presidência da República de Portugal no Facebook por causa do suposto silêncio de Aníbal Cavaco Silva quanto ao falecimento dos bombeiros. Porém e segundo a Presidência da República em comunicado, Cavaco Silva prestou solidariedade diretamente aos parentes e à corporação.
Depois de casa roubada, trancas à porta? Parece que sim, pois, de seguida foi o (apelidado) primeiro-ministro que na quarta-feira se apressou a visitar o centro de operações da Autoridade Nacional de Protecção Civil para fazer o ponto da situação. No final do encontro que ali decorreu, Passos Coelho assegurou aos jornalistas que apesar de Portugal viver um período de “contenção orçamental”, “os meios considerados adequados” para o combate aos incêndios “foram devidamente disponibilizados”.
E já na quinta-feira negra Passos Coelho visitou a serra do Caramulo onde enalteceu o trabalho dos bombeiros e da coordenação de operações. Confrontado com a morte de Cátia Pereira, disse que "É outra situação trágica, que traz sempre um peso, mesmo do ponto de vista psicológico para todos aqueles que estão a dar o seu melhor no combate aos incêndios". Mas afirmou também que a serra tinha sido “realmente um pouco azarada”, devido aos incêndios que ali vinham acontecendo. Um pouco azarada? Raio de comentário.

Podemos todos, nós os Portugueses, estar sossegados, pois o (des)Governo está de olho em cima do que se decorre quanto a labaredas. Isto apesar da crise. O país estava preparado para vencer o desafio das chamas. Pois. Teve de pedir auxílio pelo menos à Espanha e à França para que estes países emprestassem meios aéreos, os quais colmataram os “meios considerados adequados”. Mais fogo, menos fogo, as autoridades estavam à coca. Bem hajam. 

sábado, 18 de maio de 2013

Prémios António Costa - Renovados até 31 de Maio de 2013!!!

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Actualização (19 Mai 13): só à conta dos responsáveis pelo estacionamento selvagem em Lisboa, o número de lagostas sobreviventes já vai em 122 (duas por mês, em 61 meses)!
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A QUE PROPÓSITO...?

Os Prémios António Costa homenageiam a sensibilidade demonstrada pela autarquia de Lisboa em relação a alguns dos pequenos-grandes problemas que infernizam o dia-a-dia do cidadão comum - (clicar nas palavras-chave para aceder a fotos adicionais):
Cargas-e-descargas anárquicas; pilaretes derrubados impunemente e outros que nunca são repostos; lixo com fartura (ver este ecoponto!); arrumadores de automóveis em roda-livre; grafitos (até em monumentos nacionais - veja-se, p. ex., o Pátio do Tronco!); ecopontos não esvaziados atempadamente; passadeiras nunca pintadas; pedintes profissionais por todo o lado; utilização abusiva
das faixas BUS (veja-se a R. do Ouro ou a Av. das Forças Armadas, p. ex.), das paragens da Carris (até por escolas de condução!), dos lugares para deficientes e para ambulâncias; estacionamento em 2ª fila (e até em 3ª!); jardins transformados em esterqueiras; passeios esburacados, atafulhados de carros (e até de camionetas!) e de dejectos; calçada portuguesa vandalizada 'legalmente'; sarjetas e caleiras de escoamento eternamente entupidas; bocas-de-incêndio e tocos de árvores no meio dos passeios; parques de estacionamento (legais!) em cima de passeios públicos (como na Av. do Brasil, na Av. A. Gago Coutinho e na Alameda D. Afonso Henriques); crateras nas faixas de rodagem... etc., etc., até à náusea mais completa.

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OS PRÉMIOS...

... serão atribuídos às primeiras pessoas que, em cada mês, enviem para medina.ribeiro@gmail.com fotos comprovativas do que em cada caso se indica em 'Condição'. Deverão referir data e hora, e permitir verificar que o local é o estipulado.
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COMECEMOS, ENTÃO,...

...pelo mais eloquente ex-libris da capital, o estacionamento selvagem impune, uma especialidade alfacinha que faz as delícias de qualquer estrangeiro que nos visite. Escolheram-se, para já, alguns simpáticos locais na finíssima zona da Av. de Roma:

Locais A 
Todas as paragens da Carris existentes na Av. de Roma, entre a Av. dos EUA e a Praça de Londres (5, ao todo)
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Condição: foto que mostre um veículo a ser rebocado. Prémio: almoço num restaurante da zona, à escolha do vencedor. Se o reboque ocorrer num sábado, num domingo ou num feriado, o prémio sobe para um almoço de lagosta, e em restaurante também à escolha do vencedor.

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Local B 
Em cima do passeio, na esquina da Av. de Roma com a R. Frei Amador Arrais.
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Condição 1: foto que mostre uma carripana a ser rebocada. Prémio: um almoço de lagosta (em restaurante à escolha do vencedor, que até pode ser o Gambrinus).
Condição 2: idem, bloqueado. Prémio: 12 pastéis-de-massa-tenra.

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Nota curiosa: depois de muitos protestos, foram aqui colocados, há algum tempo, 6 pilaretes. Mas quem o fez teve o extremo cuidado de não colocar os que pudessem impedir o acesso ao passeio! Pois, mesmo assim, alguns desses 6 têm sido sistemática e impunemente derrubados, à vista de toda a gente!E àqueles que acham que isto não tem importância nenhuma, sugere-se que vejam a vergonhosa cena que se passou, ali mesmo, no dia 7 Jan 11 - ver [aqui].
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Local C 
Em 2ª fila, na R. Frei Amador Arrais (mas só do lado dos ímpares, e entre os n.ºs 1 e 7)
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Condição 1: foto que mostre uma carripana em 2ª fila multada. Prémio: 6 pastéis-de-massa-tenra.
Condição 2: idem, bloqueada. Prémio: 12 pastéis-de-massa-tenra.

Condição 3: idem, a ser rebocada. Prémio: 18 pastéis-de-massa-tenra.
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Local D
Paragem da Carris, na Av. João XXI, junto ao n.º21
(Outro local onde se pode ver como, em Lisboa, os transportes públicos são "acarinhados")
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Condição: foto que mostre uma carripana a ser rebocada. Prémio: um almoço em restaurante da zona, à escolha do vencedor, e sem limite de preço.
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PODEM CONCORRER...
... todos os cidadãos (m/f) - incluindo os que, por acção ou omissão, fazem com que Lisboa seja uma cidade caótica, agressiva e desumana - de onde, actualmente, fujo sempre que posso. Mas, atenção: será preciso que as imagens mostrem a multa afixada, o bloqueador aplicado ou o reboque já engrenado.
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O GRANDE MISTÉRIO

Estes prémios começaram a ser oferecidos em Abril de 2008, tendo sido divulgados em inúmeros blogues (com especial destaque para «O Carmo e a Trindade», «No Reino do Absurdo» e «Passeio Livre» - mas também em caixas de comentários de muitos outros) e até, por várias vezes, no jornal «Público».
Nesse mesmo jornal, em 27 Jun 10, Miguel Esteves Cardoso dedicou ao tema uma das suas divertidas crónicas (intitulada «Roma Misteriosa»); a SIC também já lhe prestou atenção (no programa Boa Tarde; e até (suprema glória!) Mário de Carvalho, na pág. 107 do seu livro «A Arte de Morrer Longe», se refere à impunidade do estacionamento selvagem nesta bizarra zona de Lisboa - no tom de gozo que essa vergonha merece.

Embora com algumas incorrecções, o «Correio da Manhã» dedicou ao assunto (no suplemento de domingo do dia 23 Jan 11) uma peça com 1/4 de página; em 25 Abr 11 o «JN» dedicou-lhe uma página inteira!;  em 6 Set 11 o «DN» dedicou-lhe uma coluna inteira, e em 4 de Out 12 a «Visão» dedicou-lhe cerca de 3/4 de página.

Então, porque será que, 61 meses decorridos, ainda
não foi reclamado (quanto mais atribuído!) um único prémio, apesar de
os prazos terem vindo a ser renovados mês após mês?!
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CENAS DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS

Dado que este concurso é actualizado mensalmente (o que se espera que suceda enquanto os almoços de lagosta não forem atribuídos), serão aqui anunciadas, de vez em quando, outras situações não menos curiosas, e com prémios igualmente aliciantes! Os próximos poderão ser, por exemplo, estes:

Local E
Saída de emergência do centro comercial Acqua bloqueada por iniciativa da CML!
- Ver [aqui]
Actualização: em 24 Abr 11 a situação apresentava-se um pouco melhor, tendo o vidrão sido deslocado para a esquerda. Ainda bem!
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Local F
Outro lugar para 'intocáveis' (taxistas, mas não só): à porta do Hotel Roma.
Uma nota curiosa: recentemente, interpelei dois fiscais da EMEL que estavam a actuar nesta avenida, e perguntei-lhes, concretamente, porque é que nunca actuavam nesta esquina. Puseram-se a rir, e a única resposta que consegui (de um deles) foi: «Essa é uma situação muito complicada... Muito complicada...». Fiquei perfeitamente esclarecido, e não insisti.
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Locais G
Passeio das avenidas novas 'ornamentado' com excrementos de cão - este, na R. João Villaret, ou qualquer outro. Pergunta-se: quantos donos, em toda a cidade e nos últimos anos,
foram multados por serem responsáveis por cenas destas?
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 Local H 
Outro, dos muitos locais de Lisboa, onde os 'especialistas dos pilaretes' se 'esqueceram' de colocar alguns.
Repare-se no pára-sol no carro da esquerda!
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Local I
Parece que não tem importância, mas tem - pelo que simboliza de estupidez, incompetência e absoluto desprezo pelos peões: esta placa está assim há vários anos, junto ao n.º 60 da Av. dos EUA. Foi colocada de tal forma que a sua aresta inferior está ao nível dos olhos (ou - vá lá... - da testa) de uma pessoa de altura média! Já foi referida, e por 2 vezes, no Correio da Manhã...
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Local J
Esquina da Av. República com a R. José Carlos Santos:
Pelos vestígios, não há dúvida de que esta passadeira já foi pintada uma vez, mas o trocadilho com "estão-se nas tintas" continua a ser aplicável.
Já agora: quando chegar a sua vez, o correspondente prémio vai contemplar, também, os 'intocáveis' (como o que se vê na imagem) que estacionam em cima do passeio da Av. da República - entre esta Rua José Carlos Santos e o Campo Grande.
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Local K
Deste tempos imemoriais que esta sucata (um elevador tão especial que até talvez tenha funcionado no dia da inauguração - mas nem isso é certo) ornamenta a zona Entrecampos.
Já foi objecto de petições de moradores, e até foi vedeta no «Nós por cá», da Sic - mas nem para a reciclagem o mandam. De um lado e do outro da passagem aérea, cartazes afixados nos pilares informam o passante a quem se deve este símbolo de «Como é gasto o nosso dinheiro».
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Local L
Praça da Figueira - Caleiras sem tampa, à espera dos pés de quem por ali passa.
(Só nos passeios Norte e Sul, cheguei a contar 12!). Actualização: em 5 Mai 11 a situação apresentava-se corrigida.
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Local M
Pátio do Tronco, à R. das Portas de Santo Antão, onde Camões esteve preso. Em 1992, a CML dignificou o local, com azulejos e inscrições alusivas. Há anos que está completamente 'sarapintado'. As fotos são de 22 Jan 11, mas podiam ser de há 2 ou 3 anos.

Actualização (26 Fev 11): finalmente, a situação foi corrigida, como se pode ver [aqui]. Nova actualização (9 Mai 11): é caso para dizer: «Gabaste, estragaste!». Hoje, constatei que os gatafunhos regressaram...
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Local N
Arte Moderna, à porta do Museu de Arte Antiga: a destruição da tão apregoada calçada portuguesa, num local
onde o estacionamento é legal! (Foto de 22 Jan 11).
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Local O
Na Alameda D. Afonso Henriques, e de ambos os lados da ala poente, o espaço calcetado foi entregue à exploração da EMEL. Enquanto o mesmo vai sendo destruído, podemos visitar, exactamente por baixo, um parque subterrâneo com 500 lugares, em 5 pisos, dos quais alguns chegam a estar fechados, por falta de freguesia.
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Local P
Rotunda de Entrecampos (Campo Grande, entre os n.ºs 2A e 4, e do lado oposto):
Outro local onde a calçada portuguesa é 'acarinhada' - e, no entanto, uma dúzia de pilaretes teria, há muito, acabado com esta situação.
Ali ao lado, o passeio entre a R. José Carlos Santos e o Campo Grande (e o do lado oposto, junto ao antigo teatro) também é "zona livre".
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Local Q
Rua da Prata: enquanto funcionários da CML compõem a calçada, uma camioneta da mesma autarquia trata-lhe da saúde... Como forma de criar postos de trabalho, é genial!
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Local R
Uma (in)esperada utilidade que muitos automobilistas dão à ciclovia da Av. Frei Miguel Contreiras
(Embora a carrinha branca seja a mesma, as fotos foram tiradas em dias diferentes)

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Locais S
Faixas BUS da Av. do Movimento das Forças Armadas e da Rua do Ouro - 'eles' até fazem fila!
Quando os transportes públicos sofrem de dificuldades, o que é que fazem os poderes públicos? Facilitam-lhes a vida, ou aumentam os preços? Quantos condutores, como os que as imagens mostram, foram multados (ou apenas interpelados pela polícia), nos últimos anos?
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Locais T
São incontáveis as tampas de caixas-de-visita que, colocadas "à balda", ornamentam as calçadas de Lisboa de forma vergonhosa. Algumas dessas obras-de-arte (como a de cima) não estão assinadas mas, no caso da de baixo (esquina da R. do Ouro com o Rossio), o dono não deixou os créditos por mãos alheias, e até deu lustro à placa identificadora - Brilhante!
NOTA: Para ver a colecção de horrores, clicar [AQUI].
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 Local U
Av. Óscar Monteiro Torres (frente ao n.º 66, a dois passos da Assembleia Municipal).
Quando chegar a sua vez, esta situação vai dar prémios fabulosos (porventura bifes de lombo).
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Local V
À porta dos Jerónimos - a bem do turismo nacional
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Local W
Av. dos EUA, junto a Entrecampos.
Colocado pela CML numa fiada de várias paragens de autocarros, este vidrão faz o que pode pela fluidez dos transportes públicos.
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Local X 
Na Av. dos EUA, frente ao n.º 102, outro local intocável... Actualização: em Janeiro 2012, a EMEL começou, finalmente, a actuar aqui, para grande espanto dos "habitués". É pena que seja só "às vezes"....
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Local Y
Em inúmeras zonas da capital, a lei, no que toca ao estacionamento, está entregue a estes técnicos. A imagem mostra um deles, n
a Av. Guerra Junqueiro, a encaminhar um carro para um local de paragem proibida, onde já estão mais dois (que, quase de certeza, serão multados pouco depois)
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Local Z
Av. da Liberdade, onde podem ser vistos alguns dos mais bonitos desenhos de calçada portuguesa
e apreciar como é acarinhada.
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Uma vez acabadas as 26 letras do alfabeto:
O prémio «Exemplo exemplar» vai para esta situação, que se pode ver quase todos os dias à porta da Assembleia Municipal de Lisboa. (A carrinha que se vê a seguir ao carro da Polícia Municipal é da CML).
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O prémio «Como, em Lisboa, os transportes públicos são acarinhados» vai para esta situação: bem no coração da capital (na Praça da Figueira, frente ao n.º 12), a escola de condução «Segurança Máxima» (passe a publicidade...) usa uma paragem da Carris como ponto de apoio para as suas actividades pedagógicas. Ah! E do outro lado da rua, onde um ingénuo sinal de trânsito diz "Paragem Proibida", costumam estacionar outros, da mesma família...